"E, nos murmúrios do vento, vão-se os meus silêncios"" (Sonya Azevedo)

 

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

O Tanto que Te Amo


Sim... e como te amei!
Amei-te nas alfombras estrelares,
Amei-te nos tantos sóis,
Amei-te no apogeu dos luares!
 
Amei-te em cada desabrochar
De uma flor, até, em seu desfolhar.
Amei-te nas várias estações,
Amei-te, até, em minhas ilusões...
 
Amei-te tanto e em cada canto
Da passarada...
Amei-te no choro do vento,
E, em todo meu pensamento.
 
Amei-te no rubi dos poentes,
Outrossim, em noites de negritude.
Amei-te nas vagas da solitude,
Nos acenos do corpo ausente...
 
Ah! como te amei!
E, como, ainda, te amo tanto!
Anos se foram e pro meu espanto,
Creio eu, sempre e tanto, mais te amarei!

(Sonya Azevedo)

domingo, 23 de outubro de 2016

Andorinha Desgarrada


Já fui andorinha desgarrada
Solitária na imensidão do nada...

Já fui estrela cadente
Que se lança consciente
A um sonho,
Único talvez,
A descobrir depois
Que, em verdade,
Perdeu a vez,
Perdeu outros
Que o tempo não refez.

Já fui rio
Deslizando suave
A percorrer caminhos...
Já fui corredeiras
De pressa inconsciente
Levando beiras
A navegar
Por rumos diferentes.

Já fui bambu
Vergando para os lados
Sem, contudo, perder
O prumo, o equilíbrio,
Em meio aos vendavais.

E quando bambu
Pude sentir
Quão forte eram as mi'as raízes
E quão ereto
Ascendia-me em haste
Em busca do infinito.

Então vi as cadentes
Destrançando seus cabelos
Fazendo-me timoneiro
Nesse rumo de cristal
Onde o Porto é único,
Onde a Paz
É tão somente
Os braços de Deus!

(Sonya Azevedo)

domingo, 18 de setembro de 2016

O grafite


Tão negros se vão
Pelos cirros
Das folhas
Em minhas mãos.

Voam...
Vão-se em própria dança
Bailado rebuscado
Em busca de bonança.

Altivo, elegante,
Já te cobristes de negro.
Hoje te integras
Às cores, aos corantes.

Nos dedos de uma criança
Fazes-te em ensaios.
Ensaios de sonhos
E de esperança!

Nos dedos de um poeta
Deformados pela artrite
És tão somente
Teu adorado grafite.

(Sonya Azevedo)
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