"E, nos murmúrios do vento, vão-se os meus silêncios"" (Sonya Azevedo)

 

sexta-feira, 9 de março de 2018

Esse Amor



Ah! Esse amor tão delicado,
Dias se faz tão complicado
Que é difícil entender!

Dias acorda irritado,
Dias é só beijo soprado
E dias é tanto querer!

Dias, de tudo, está cansado,
Até parece entediado
Com o novo alvorecer.

E à noite vem tão abrasado
Ansiando beijos molhados 
E o mais que se suceder...

Quando esse amor é pensado,
Vaivém de maré é lembrado,
O ir e vir de enlouquecer.

Mas, em toda essa loucura,
Sempre há o sabor de ternura
Que o faz permanecer.

Sonya Azevedo

O Canto do Albatroz



Escrevi teu nome nas espumas,
Alvas espumas do imenso mar.
Quiseram as ondas só algumas
E o teu nome largaram por lá.

Com todo zelo, trouxe-o ao rio.
Mas o rio não o queria por lá.
E o salgueiro, de tanto chorar,
Sangrou teu nome por desvario.

Coloquei-o no final da ponte
Crendo em embarcação que viria.
Mas o vendaval não aviria 
E forte o soprou ao horizonte.

E como, tão feliz, eu fiquei!
Seria o fim da imensa saudade
Que me faz sentir a ebriedade
Da ausência que não me acostumei.

Daí, ouvi, do albatroz, a canção...
Chorosa canção da soledade!
No bico teu nome, mi'a saudade
Tornando tudo ao meu coração.

Sonya Azevedo


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